PEDACINHO DO MEU NOVO LIVRO
POLÍTICA E CORRUPÇÃO
A claridade de uma linda manhã no interior do Brasil resplendia sobre o colégio estadual “Don Pedro II”, fazendo com que as pessoas, não só do colégio, mas de toda a pequena cidade meditassem na grandeza da vida, nos seus contornos de justiças e injustiças, respirando a longos haustos a brisa matutina.
Foi nesta manhã que a brilhante professora Marina Almeida Santos, exímia educadora do Ensino Fundamental, ainda muito jovem, mas já com seus nove anos de titularidade. Entre uma matéria e outra do 5º ano D, ela meditava sobre a situação política brasileira, com tantas notícias sobre o descaso público, os escândalos e a corrupção, que, como uma epidemia, parecia tomar conta de todos os órgãos municipais, estaduais e federais.
Bateu-lhe uma vontade de desabafar, de gritar e até mesmo explodir-se com a revolta que lhe ia à alma. Era difícil acreditar que algumas pessoas podiam agir de tal forma, a ponto de tirar vantagem de uma maneira tão indigna e suja. Não era possível que, num país ainda com milhões de famintos, verdadeiras organizações criminosas pululavam por todas as esferas públicas em coligação com empresas privadas, ávidas por lucro fácil, botassem o país na situação que se encontra, embora as melhorias das últimas décadas.
Coincidentemente, um de seus alunos era filho de um respeitável Vereador do Município. Pedro Augusto, seu aluno, blasonava todo empolgado:
- Meu pai comprou uma casa nova. E ele me disse que na próxima segunda-feira deve chegar o nosso carro novo. Parece-me que meu pai disse ser uma Mercedez...
- Aonde seu pai arruma tanto dinheiro, Pedro? – arrematou sua colega Eduarda.
- Não sei! Eu ouvi meu pai dizer que os negócios deram certos – respondeu Pedro Augusto.
A professora Marina pensava com seus botões: “Aonde que um Vereador pode ganhar tanto e comprar uma casa nova que deve valer no mínimo uns duzentos mil reais...” “E um carro dessa marca que deve ser praticamente do mesmo valor”?
Mas refletindo um pouco, sentiu que não devia fazer nenhum julgamento, até porque os negócios do Vereador Carrara poderiam perfeitamente estar de acordo com a justiça, frutos de sua capacidade como empreendedor. E também, com certeza, existiam políticos honestos em nosso país. Assim como a grande maioria da população o é.
Em certa oportunidade, encontrou-se com uma velha amiga e professora também, formada em Ciências Políticas. Aproveitando-se da ocasião, do clima e do belo lugar que marcaram para umas boas horas de conversa sadia e uma fofoca ou outra, Marina, entre um gole e outro de suco de laranja – diga-se de passagem – que ela amava, mandou para cima da amiga as suas indagações sobre a política:
- Perdoe-me, Cláudia, pela indagação! Mas como acreditar na Política? Como pensar em Política? Como viver a Política com toda essa situação?
Olhando para os animais artificiais que enfeitavam a bela praça em que elas estavam, sentindo a alegria de um sábado a tarde de sol e boa temperatura, com um brilho nos olhos que só as grandes almas possuem, e após limpar os lábios gelados pelo delicioso sorvete de morango, Cláudia olha bem fundo nos olhos de Marina e deixa suas ideias fruírem, dizendo:
- De uma forma ou de outra, nós precisamos e muito da Política. É ela que nos permite o desenvolvimento social, as relações formais com outros Municípios e com as esferas estaduais e federais, sem falarmos nas relações com outros países, que são de muita importância para a economia mundial.
“Sem Política estaríamos na Idade da Pedra também. É lógico que por ser a Política uma fonte de poder, muitos se aproveitam dela para benefício próprio, descaracterizando sua função principal de representação de um povo, de uma nação inteira ou mesmo um pequeno Distrito.”
“Quem corrompe, corrompe-se!”
“O corrupto acha certo se beneficiar das facilidades que a Política apresenta. É como uma chave que abre muitas portas. Mas o corrupto comete um engano pavoroso.”
“Cada vez mais as pessoas também estão colocando de lado o sonho do benefício próprio, preocupando-se mais com os benefícios coletivos. Com certeza esse pensamento se transformará em voto, e pessoas com esse pensamento chegarão ao poder, como já acontece, eu posso lhe garantir, nos dando uma grande esperança.”
“Nós, que nos sentimos lesados pela corrupção que campeia o nosso país, devemos lutar com todo o nosso direito, sem violência, mas com inteligência, para que mais e mais a boa índole esteja no poder para benefício de todos. Os maus continuarão articulando e usando forças para o seu bel prazer, porém eu acredito que os bons são a maioria e só precisam se unir para saírem vitoriosos dessa grande batalha.”

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